Existem pessoas que acham lindo dizer: “Pode me chamar a qualquer hora.” E eu até entendo o seu impulso. Pode parecer cuidado, engajamento, compromisso, até amor ao que se faz. O problema é que, com o tempo, isso vira um tipo de plantão que ninguém assinou — e que cobra caro do corpo, da mente e das relações. E quem se serve de você ou da sua expertise ainda pode se sentir injustiçado quando você tem a coragem e desfaçatez de dizer: Hummmm, hoje não consigo!
Quando não existe limite, qualquer coisa vira urgência. A mensagem chega no meio do almoço, no trânsito, na hora de descansar. Você responde rápido para “resolver logo” e, sem perceber, ensina o mundo a te acionar sempre. A sensação é de utilidade; o efeito é de aprisionamento.
O ponto não é ficar frio, distante ou inacessível. É amadurecer: definir horário, combinar canal, organizar escopo. E, principalmente, construir um jeito de viver no seu dia a dia, seja maternando, esposando (existe está palavra?), desfrutando das amizades, dos relacionamentos profissionais, da família nuclear e constituida, bem como de trabalhar em que as coisas não dependam apenas da sua presença. Registrar, padronizar, orientar autonomia — isso é cuidado com você e com o outro.
Limites não diminuem entrega; aumentam consistência e preservam o profissional. E aqui vai a pergunta que vale a semana: qual limite simples, de horário, por exemplo, você pode estabelecer hoje para voltar a respirar sem perder qualidade?
