Discernimento: Estratégia para evitar ser refém da Urgência.

A urgência tem um jeito curioso de se disfarçar: ela chega com cara de “preciso de você agora”, e quando a gente vê, já está respondendo no impulso, abrindo mão do próprio tempo, do próprio ritmo e, muitas vezes, do próprio corpo. Quem cuida de gente, de casa, de equipe, de processos costuma ter um gatilho forte: a ideia de que se não responder logo, falhou. Só que urgência não é prova de amor, nem selo de competência. É só uma pressão de tempo.

O problema é que a pressa muda a nossa mente. Quando estamos cansados, qualquer pedido soa maior, qualquer mensagem parece “grave”, e o discernimento que é a capacidade de distinguir o que é seu, o que é do outro, o que é agora e o que pode esperar fica prejudicado. É como tentar enxergar com óculos embaçado: você até enxerga, mas perde detalhe, nuance, profundidade. E discernimento é exatamente isso: nuance. Sem nuance, a gente vira refém do imediato.

Eu gosto de transformar isso em prática simples, quase como um ritual de lucidez. Antes de responder, faça uma pausa curta, de 10 segundos, e pergunte: É meu? É agora? Qual custo?. “É meu?” porque nem toda urgência que chega até você é sua responsabilidade. “É agora?” porque ansiedade do outro não define o seu cronômetro. “Qual custo?” porque todo “sim” tem um preço — e, se você não mede esse preço, você paga com saúde, qualidade de presença e até com a sua integridade.

E quando você precisar colocar limite, tente uma frase adulta, sem dureza: “Eu posso te ajudar assim…”. Assim você oferece caminho sem se abandonar. “Eu posso te ajudar amanhã, nesse horário.” “Eu posso te orientar por 10 minutos agora e a gente aprofunda depois.” Limite não diminui cuidado; ele dá forma ao cuidado. Ele preserva qualidade, excelência e verdade. Hoje, escreva sua regra pessoal: “Eu vou pausar antes de responder…” e complete. Essa pequena frase pode ser o começo de uma vida com mais lucidez.

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