2026 começou, e agora?

Muita gente atravessa a virada como quem muda de rua, mas continua com a mesma bagagem por dentro. Troca o calendário, troca a roupa, troca a frase de efeito… e, sem perceber, repete as mesmas conversas, os mesmos medos e as mesmas escolhas. Talvez o ponto não seja “ano novo”. Talvez o ponto seja: você vai se tratar como projeto sério ou como promessa de ocasião?

A origem da virada do ano como celebração tem muito de marco coletivo: a sociedade combina um dia para dizer “daqui pra frente”. E isso faz diferença. É como se o tempo ganhasse uma porta. A imagem é antiga e simbólica: olhar para trás e olhar para frente ao mesmo tempo, sem negar o que aconteceu e sem fantasiar o que ainda não existe. O começo do ano é esse convite: revisar com honestidade e seguir com intenção.

Só que a vida real não muda por decreto. A mente adora esse clima de recomeço porque dá uma sensação de “limpeza” como se a gente pudesse separar “quem eu fui” de “quem eu quero ser”. Isso é bom, porque renova esperança. Mas também é perigoso, porque esperança sem plano vira ansiedade: a pessoa quer sentir que começou, mas não quer sustentar o que começa quando o encanto de janeiro passa.

Então eu te proponho um caminho simples, cotidiano e possível: escolha um ajuste pequeno, porém inevitável. Um comportamento que você consiga repetir mesmo em dias comuns. Em vez de “vou mudar minha vida”, diga: “eu vou fazer X por 10 minutos, todos os dias, por 7 dias”. Pode ser organizar uma gaveta, caminhar em volta do quarteirão, parar de responder mensagens no impulso, anotar gastos, dormir 30 minutos mais cedo, pedir desculpas, dizer não para algo que te drena. O que muda a vida não é o tamanho do sonho; é a repetição do passo.

E, para fechar, faça o exercício dos três “sins” desta primeira semana: um sim de corte (o que você interrompe porque te enfraquece), um sim de início (um passo mínimo que inaugura o que você quer construir) e um sim de sustentação (um ritual semanal de revisão, por exemplo: 15 minutos no domingo para olhar agenda, finanças e escolhas). 2026 não precisa ser o ano da promessa perfeita. Pode ser o ano do compromisso honesto, aquele que você consegue honrar um dia de cada vez.

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